
Sábado de chuva e lembranças
Igual a outros que passaram
Igual a outros que virão
Mas nenhum igual ao outro
Sábados de chuva pedem vinho
É quando os pensamentos vem
Doces... sim, os pensamentos e o vinho
Por que não?
Hoje, véspera de um dia especial e marcante não estou só...
Fico com meu novo amigo que me diz:
"... Mas só muito mais tarde, como um estranho flash-back premonitório, no meio duma noite de possessões incompreensíveis, procurando sem achar uma peça de Charlie Parker pela casa repleta de feitiços ineficientes, recomporia passo a passo aquela véspera de São João em que tinha sido permitido tê-lo inteiramente entre um blues amargo e um poema de vanguarda. Ou um doce blues iluminado e um soneto antigo. De qualquer forma, poderia tê-lo amado muito. E amar muito, quando é permitido, deveria modificar uma vida – reconheceu, compenetrado. Como uma ideologia, como uma geografia: palmilhar cada vez mais fundo todos os milímetros de outro corpo, e no território conquistado hastear uma bandeira. Como quando, olhando para baixo, a deusa se compadece e verte uma fugidia gota do néctar de sua ânfora sobre nossas cabeças. Mesmo que depois venha o tempo do sal, não do mel. ..." (Caio Fernando Abbreu)
Um comentário:
Sábados de chuva, vinho, doces e boa leitura podem ser incrivelmente deliciosos...
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