sábado, 27 de março de 2010

E é de ti que não me esquecerei...

Setembro ou outubro. Não lembro bem. Mas o ano tenho certeza: era 1995. Noite. Sentada no chão do quarto, com um gravador de dois decks que ganhara de presente de aniversário, eu brincava de gravar músicas que passavam na rádio. Começa uma com uma longa introdução de violão e depois um homem contando uma história. Começava um pouco mais lenta, ficava mais pesada, voltava pra os violões, voltava a ficar pesada... Era longa... E eu gostei da historinha. "Deve ser Engenheiros", pensei. No outro dia conversando com meu amigo George falei pra ele da música. "É Legião, Gil". Teimosa como só eu, ainda disse que não era. Ele me emprestou uma fita K7 que tinha Legião de um lado e Engenheiros do outro. Foi aí que um tal Manfredini Jr. entrou em minha vida. Devorava todas as músicas. Sabia todas de trás pra frente. No auge dos meus doze, treze anos eu sentia toda aquela dor, angústia e sofrimento mesmo sem ter vivido nada ainda. Os anos que se seguiram foram regados a ela. A Legião estava sempre presente. Com George, Bela, Sarah... a música nos unia ainda mais. Histórias deliciosas embaladas pela banda: eu e minha irmã com a luz da sala apagada e uma luminária de luz azul cantando aos berros "Nossa Senhora do serrado, protetora dos pedetres..."; Nas aulas de português meu professor usava músicas para dar os exemplos... quando era de Legião ele começava a frase e pedia pra eu terminar... Menelau fez uma vez um exercício valendo pontos só com frases de músicas de Legião e a sala inteira, em protesto "não vale, Gilmara vai tirar 10 desse jeito, ela sabe tudo...". E quando saiu o Acústico então? Nossa! Ansiedade do mundo esperando que chegasse em Caruaru. Numa tarde de sábado, Menelau foi até minha casa, conversamos um pouco e quando ele tava indo embora disse "Gil, você esqueceu alguma coisa no porta luvas". "Como seu eu nem mexi aí?"... Abri.. era o CD... Sem contar as mil músicas que dedicava ao meu namorado na época. Ah... são muitas histórias... E "hoje à tarde foi um dia bom"... Aproveitando o aniversário de Renato Russo relembrei momentos maravilhosos de minha vida em que as palavras dele estiveram presente. Ele sabia falar o que a gente sentia, o que a gente queria. Um gênio. Conheci Renato Russo em 1995, no ano seguinte ele morreu, mas o que ele deixou me acompanha até hoje...A culpa de eu gostar tanto de música é dele!

3 comentários:

Conceição Ricarte disse...

Eu lembro muito de você com Legião e a época do colégio. Tua cara mesmo. Pena que eu só vim curtir a banda quando a dor começou a chegar de verdade em mim. heheh
beijos, amiga!

Ivonete disse...

Que lindo Gil, amei, vamos ser escritora né?
Lembro de quase tudo isso. Bom lembrar as coisas boas... as ruins tbm, afinal faz parte né? Bjus!

Marina Magalhães disse...

Nossa... ausência completamente compartilhada. Ele faz muita falta!