segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ver além


         Quatro pessoas no carro e ela foi a primeira que ví. Blusinha rosa, carinha de criança, criança marcada pelo tempo. Lenço na cabeça, cabeça sabe Deus onde. Olhar distante e perto dela pessoas com semblante pesado. Talvez eles quisessem que ela estivesse onde estava o olhar.
          Eles saiam de uma clínica psiquiátrica. Será que foram buscá-la? Será que os semblantes eram por ela estar por perto? Tem gente que parece não lembrar que um dia também vai envelhecer.

domingo, 8 de agosto de 2010

Datas

Eu tinha vinte anos - nem faz tanto tempo assim - e treze de mágoas guardadas. Por mais que todos saibamos que um dia a hora chega ,a gente nunca espera que seja tão cedo. A gente sempre acha que vai ter tempo e as coisas vão mudar. Não mudaram e eu não tive tempo. Não tive tempo de dizer o que eu queria, de perceber que talbez para ele também fosse difícil, de tentar ver o lado dele também. Não percebi. E agora sei lá quantos outros vinte anos vou passar carregando essas lembranças em datas assim. Dia dos Pais, aniversário. Algumas datas ainda são muito dolorosas mas eu aprendi com elas.

Um horizonte qualquer


            Às vezes olho ao redor e vejo como tanta gente com a mesma idade que eu já fez tanta coisa, já conheceu tantos lugares, coisas que eu também queria ter feito e não fiz. Os perfis são diferentes, as oportunidades também. Claro que eu olho ao redor e vejo o quanto conquistei também. Coisas que muita gente, da minha idade, queria e não conseguiu ainda. É o tal “cada coisa no seu tempo”. Não sei se espero muito o meu acontecer, se preciso fazer a hora com mais intensidade. Pedir demissão do emprego, pegar a mochila e cair pelo mundo? Não tenho perfil aventureiro. Como diria Wally Salomão “tenho os pés no chão porque sou de virgem, mas a cabeça, gosto que avoe.” Será que é por isso? Virginiana, elemento terra... Ou não é tão simples assim?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Amo


Titititititiaaaa ama muito.

PS.: não sei como virar o vídeo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Surreal



de 2003


" O que é isso que tu tá comendo? Ovo é? (no prato tinha sushi).  Me arruma três reais para eu comprar um refrigerante. É que eu tô esperando o juíz sair de greve pra me defender aí eu não queria ficar sem fazer nada aí vou pra o cinema.  Eu queria que você me ajudasse pra eu comer."  Eu olhei pra minha irmã, ela pra mim e caímos na risada! Se não estivéssemos juntas e ela me contasse isso eu ia dizer que era "doidiça" dela.

sábado, 17 de julho de 2010

Mais sobre jornalistas

Minha turma de jornalismo na aula da saudade (2006)


Provérbios jornalísticos

Diga-me com quem andas que eu publicarei na revista de fofocas.

Depois da tempestade, vem a matéria de enchente.

Em terra de pessoa jurídica, quem tem carteira assinada é rei.

Quem nada deve com certeza não é jornalista.

De follow-up em follow-up o assessor de imprensa enche o saco

Aqui se faz frila, aqui não se paga.

Atrás de um grande repórter de TV, há sempre um grande produtor.

Quem indica amigo é.

A pressa é inimiga da boa apuração.

Não há folga que sempre dure, nem plantão que nunca se acabe.

Mais vale um frila na mão do que cem vagas de correspondente internacional voando.

Não adianta chorar sobre o furo tomado.

Em redação que tem estagiário bonitinho, jornalista cultural caminha de costas.

Quem tem boca vai à coletiva de imprensa filar um rango.

Devagar se perde o deadline.

Obs.: Texto recebido por e-mail

domingo, 11 de julho de 2010

Até quando?



                No caminho de casa eu ví flores. Algumas coroas. Pessoas em volta de alguém que, naquele momento, era só matéria. Cena que vai estar sempre acontecendo em algum canto e que volta e meia volta à minha cabeça. Meus olhos reagiram instantaneamente e me perguntei: até quando? Até quando vai doer tanto? Até quando essa lembrança vai virar líquido salgado que sai de mim com força e vontade própria?
                Por isso que não gosto de velórios. Fui a três em minha vida: um do irmão de Osias, do meu pai - não tinha como não ir e o do meu avô, que na verdade não fui ao... o velório foi em minha casa, casa na qual ele começou a formar a vida quando saiu do sítio, na minha sala, a mesma em que o ví morrer.
               Minha casa não será mais a mesma, minha sala de tantas lembranças boas agora tem cara de dor, essa palavrinha pequena mas que esmaga, estraçalha e fere como o pior dos carrascos brutamontes. E eu pergunto a você, tão poderosa dor: quando é que você vai cansar e vai embora? Até quando vai ser assim?

terça-feira, 29 de junho de 2010

        Nem fui lá pra comprar nada pra mim. Prometi isso, era só o presente e pronto. Mas aí, fiquei olhando, fazendo hora e a capa me chamou atenção. As "casinhas", a neve e aquelas cercas de arame farpado inconfundíveis em tons sépia e P&B...  Imagens sob a frase "Os belos dias de minha juventude" escrita em cor de rosa com letrinha bem desenhada de menina. Era o mais sutil dos contrastes e um convite que não resisti.
       Era só a primeira página do prefácio (lá embaixo dizia página número 9. Eu sou cismada com o 9. Já falei isso? Se não, depois eu conto...). Era só o começo e já me prendeu, já me encantou de forma surpreedente. Não gosto de riscar meus livros, mas eu queria deixar aquelas palavras em evidência, queria não esquecer mais e ter a memória boa o suficiente pra em uma conversa dizer "como diria Ana Novac"...
       Era só a primeira página e ela me fez sentir vontade de escrever várias. Não pra me comparar a ela, claro, mas só pra registrar meus pensamentos. Detesto ter que levantar da cama pra fazer qualquer coisa quando estou em minhas sessões de leitura "pra depois ir dormir". Mas as palavras dela, as primeiras, não me deixaram ficar quieta e fui obrigada a pegar papel e caneta pra registrar as minhas. Aí viro a página e o que é que ela diz?? "No entanto, mais importante parece-me o fato de não conseguir dormir enquanto não tivesse capturado em palavras todas as ideias que me inquietavam durante o dia". Rí sozinha. Eu poderia ter escrito aquilo...
         Foi uma "brainstorm" numa noite de chuva, lendo sobre um lugar que me encanta por mais estranho que possa parecer dizer isso. Eu fico querendo saber sempre mais quando ouço a palavra Auschwitz. Acho que essa leitura ainda vai me render muitas palavras...

sábado, 5 de junho de 2010

Faça o seu

Alí nem era a fonte dos desejos Mas eram tantos! E se eu jogar uma moeda também? Posso quebrar meu porquinho aqui dentro?
Independente dos centavos
Desejar de verdade já deve valer muito.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

É assim e pronto.

Meu cunhado uma vez me falou que passou a gostar mais da Paraíba depois que conheceu minha irmã e eu. Depois que viu o amor que temos por nossa terra. Ele quis saber por que tanto sentimento assim. Eu não soube dizer. Não lembro de ninguém me me ensinando a amar Pernambuco e o que é dele. Parece que isso está no velho clichê: no sangue. Queria ter visto todo o show de Antônio Nóbrega no Fenart, não deu. (Trabalhar à noite tem dessas coisas...) Quando cheguei ao Espaço Cultural ele cantou um pout-pourri de ciranda, Vassourinhas e foi embora. Pronto. Pode parecer bobagem pra alguns mas foi o suficiente para meu coração pernambucano dormir feliz. Ah... E sabe a parte que falei que não me lembro de ninguém me ensinando a gostar de Pernambuco? Bom, se depender de mim vou ensinar essa paraibaninha aí da foto!!! Já começei!!