terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Era uma vez...


O corpo nu sobre a cama vestia o peso de uma armadura. 
As lágrimas sincronizadas chegaram até a nuca. 
Um corpo imóvel. 
A carne, há anos morta, sendo rasgada pelas notas musicais afiadas.
Venenos diferentes em cada ponta. 
Um filme desponta. 
Vários. Mudos. 
Um barulho ensurdecedor.
A luta na inércia. Imersa. 
Um mar revolto disfarçado de calmaria. 
Um dia.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

#TBT







                                                                      Voltei
                                                      Fui sem nem sair do lugar

                                                        Agora começo a voltar
                                                          Pra onde nem eu sei

                                                                  Cheguei
                                                         E agora que aqui estou
                                                          Não quero mais estar
                                                 Fico, de novo, querendo voltar
                                                 Para o que ainda nem passou
                                                                    Eu sei
                                                                   
                                                                     Sei?
                                                    Será que vai ser diferente?
                                                Tem coisa que só a gente sente
                                                       E um alto preço pagarei
                                                               
                                                                      Irei
                                                   Mesmo com todas as pedras
                                                   Dar as passadas mais certas
                                                     Fingindo que não tropeçei
                                                             
                                                                   Sorrirei
                                                  Quando perceber que já passou
                                                   Quando perceber que chegou
                                                  O que é meu, que sempre terei.
                                      
                                                         Voltei quando cheguei
                                                           E sei que ainda irei
                                                           Sorrir sem precisar ir,
                                                       Ter de volta o que não foi
                                                     E também o que está por vir.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Sobre calar...

                       


Não. Eu não desisti de você...
Eu apenas estou pensando mais em mim...
Não que o que eu faça seja esperando algo em troca. Não mesmo...
Mas de onde só sai, uma hora acaba...
Não. Não agimos da mesma forma pra tudo...
Mas era justo isso que nos ligava, lembra?
Iguais nas nossas diferenças. O sentimento da racionalidade...
E como era bom...
Não. Eu não estou indo embora. Só estou aprendendo, aos poucos,
uma listinha de verbos: calar, observar, viver...
Não. Não vai ser sempre assim. Mas agora é isso...
Dizer não pra você é, em silêncio, dizer sim a mim mesma.
Percebeu quantas reticências?
Eu quero que elas acabem e a gente volte a ser a gente
e ponto.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

#TBT



Menina bonita solta na rua
Ao vento dança, leve, flutua
Menina bonita da cabeça no mundo 
Cada movimento um balançar, um pulsar, fundo 
Menina bonita pintada de luz 
Olhares, gracejos, uis 
Menina bonita da voz de algodão 
Teus pés, chão, tua alma, não 
Menina bonita do sorriso aberto 
Espanta tristeza, alegria aqui perto 
Menina bonita de abraço apertado 
Sentimentos e lembranças tudo bem guardado 
Menina bonita dos olhos -de -não- sei 
Se não sabia antes jamais saberei.

Ano: 2009 
Comentário: Texto escrito com fragmentos de coisas que foram ditas para a Menina bonita por pessoas distintas, momentos distintos. A foto também é da época. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Amorzade




  Tenho poucas certezas nessa vida, mas uma absoluta é a de que Deus me ama muito. Disso nunca duvidei e, sempre que esmoreço, Ele faz questão de me lembrar. 

   Sou muito grata por tudo que Ele me dá, nessa lista, estão meus amigos. Muitas vezes me pergunto: como pode uma pessoa tão chata e difícil como eu ter tanta gente querida por perto? Tanta gente que gosta de mim de verdade? Só pode ser Ele mostrando que me ama!!

    Umas das minhas músicas preferidas de Pearl Jam tem um trecho assim: "Sim, eu sou um homem de sorte, por contar em ambas as mãos aqueles que amo. Algumas pessoas só têm uma, sim, outras, não têm nenhuma". Sim, eu sou tão sortuda que a contagem não cabe nas mãos! 

     Eu poderia passar o dia aqui falando, mas na verdade, hoje eu só quero agradecer: amigos, obrigada por tudo. Amo vocês. (Sem nomear. Quem o é, sabe.)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017


Que bom que você chegou! Que bom que você voltou... Quer dizer... Que eu voltei, né?

           Se você espera um padrão, aqui não tem. Se você espera uma coisa de outro mundo, talvez não encontre por aqui. Se você espera racionalidade... xiii... Aqui é puro sentimento e loucura. Aqui é o que eu sinto, o que penso, o que eu sou. 

           E por falar em espera, vou voltar com um textinho antigo que achei perdido nos meus arquivos mas que ainda está incrivelmente atual. 

*************

Sempre esteve tudo aqui, na minha frente
O que é que eu estava esperando?
Eu sabia os detalhes, sabia o como fazer
O que é que eu estou esperando?
Por que a gente espera tanto?
Hora certa pra começar? Será?
Simples assim?
Ou será que eu que não fiz a hora?
Mas será que era mesmo?
E agora, vai ser??
Quero começar!!!
Continua tudo aqui, já!
Não sei o que estou esperando....




segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Folhinha






Vai. Me diz. Quem foi o gênio que inventou o calendário? Quem foi que teve essa brilhante ideia de juntar números com dias da semana e com os meses e formar os anos? Me fala que eu tenho umas ‘coisinhas’ para acertar com ele... Olha aqui seu... É... Você mesmo, ô sabidão! Sabia que agora, quase todo dia, quase todo mês e todo ano eu fico lembrando? "Hoje faz...", "nesse dia, em tal ano..." E as datas que eu queria esquecer? Como fazer isso agora, ô senhor das grandes ideias?

Ah, acredita não? Então tá... só alguns exemplos pra você... 15 de agosto foi a data em que, ao dar uma de cupido, descobri que aquela menina que eu detestava sem mais nem menos ia ser uma grande amiga, que iriamos viver muitas coisas juntas. 15 de agosto é aniversário de um amigo muito fofo por quem eu tenho um carinho enorme mesmo a gente só se vendo uma vez a cada ano... tá... dois anos... três? 15 de agosto foi o fim de uma viagem maravilhosa... 15 de agosto era o aniversário do meu pai.... 

É... Era. Seriam 52 anos.... Pena que ele só contou até 45... Aí lá vem tudo... Outros 15 de agosto, outras datas das quais eu também não gostaria de me lembrar. Mas é difícil esconder o que está dentro da gente né? Esconder o que reflete todo dia no espelho. No nariz, na mão, no jeito de franzir a testa num momento de preocupação. É difícil esconder o que está na cara e no sangue... Tá bom, você que inventou o calendário, vou te dar esse desconto. Eu iria lembrar sempre mesmo que não fosse 15 de agosto.

Agosto também é o mês do meu aniversário.
Eu adoro flores.
Tenho alguma ligação com o número 9.

15 de agosto de 1959
Nascimento de 'Gilmar Flor do Nascimento.'
Meu pai.

Saudades.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Eu prometo

Estudar mais, comer menos, começar uma atividade física, arrumar aquela eterna bagunça num canto do quarto, ir ao médico, cuidar dos cabelos, da pele, das unhas, ligar para fulana, marcar de encontrar beltrana, ver aquele filme, ler aquele livro, mandar arrumar aquela roupa, doar o que não está sendo usado, comprar uma geladeira ou um celular novo,  viajar pra cá ou acolá, procurar apartamento pra comprar, arrumar mais um emprego, comprar a luz da luminária, mandar trocar a resitência do chuveiro, fazer feira, cozinhar mais, não guardar papel "desnescessário", sair pra fotografar, aproveitar mais a vida, descansar.

Todo dia uma promessa, mas não vou dormir a mesma que acordei. Como cumprir?

ps.:  e pra fazer diferente esse post não vai ter foto... ou vai?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Arquivo de dispositivo móvel


Por favor, um som, uma luminária e dois co(r)pos
cheios de vontade de simplesmente esvaziar. 
Não, não, Pra viagem não.
É pra'gora mesmo, como sempre.
E pode (a)notar ai.
Sou c(l)iente f(i)el.
Meu pedido é sempre o mesmo.
Mutavelmente o mesmo.

PS.: Texto feito e esquecido no celular

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Lá vem.


            Espero que seja só TPM. Não sei se aguento passar-sentir-chorar-questinar-recomeçar-superar tudo de novo, mais uma vez, novamente, again. Espero que quando eu acordar amanhã nem lembre mais o que eu escrevi aqui, melhor, não lembre mais o que eu sentí, pensei. Que tal uma amnésia direcionada? Ia ser bom. Juro, não sei se consigo encarar todo o mar revolto dentro de mim virando tsunami. Não quero. Quero sol, verão, primavera e águas calmas. Quero pensar no "E aí?" e não no "será?". Ah, não, você de novo não, será! Se tudo que eu corrí pra fugir de você me fizesse perder peso eu ia poder ter meu velho apelido de volta. Sim, eu sei que conversei comigo mesma e me disse que "tranquilo". Mas Gilmara, a gente precisa conversar... É que... você mentiu pra você mesma e sabe disso. Não é bem assim, não era isso que eu queria dizer, não é o que você tá pensando, não me entenda mal... Sabe o que eu vou fazer? Virar pro lado e dormir. Sem acender o cigarro que eu não fumaria porque não tem motivo pra isso. Uma música no meio da madrugada vai fazer esse dia acabar. Espero que todo o resto também.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Classificados


Vendo o lado esquerdo do meu corpo. Ano 83. Bom estado de conservação. Apresenta apenas um pequeno problema no joelho que não tem cirurgia que dê jeito, vai incomodar para o resto da vida, mas é suportável, o tornozelo foi machucado a quase um ano e vez ou outra dói pra dedéu, agora o punho começou a querer mostrar que existe. Já providenciei uma revisão com profissionais gabaritados. Para completar o ótimo negócio você ainda leva totalmente de grátis uma linda tatuagem nas costelas. Forma de pagamento facilitada. Como você pode perceber, um ótimo negócio.

OBS.: Tudo funciona direitinho, estou só querendo me desfazer do lado esquedo do meu corpo pra comprar um novo.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Sentir na pele

Só sabe quem sente." Frase antiga e verdadeira. Todos os dias a gente acompanha casos de assassinato. Independente do motivo, sempre que via uma notícia do tipo, ficava me perguntando como seria para a família da vítima, como era saber que veio alguém e, do nada, tirou a vida de uma pessoa querida sua... Ah, então é assim que essas famílias se sentem... agora eu sei. Eu e Júnior crescemos juntos. Me criei no meio dos primos, sempre era a que brincava com os meninos. Lembro do menino tímido, que ajudava o pai na feira, que passou por momentos bem dificeis. Crescemos, perdemos contato, vim morar fora. Minha mãe falou que ele sempre ia na minha casa, não tinha vergonha de pedir ajuda pra marcar uma consulta médica ou ajudar a comprar o óculos porque o dinheiro que ele ganhava fazendo frete na feira não dava pra pagar. E eu soube hoje que ele estava casado.  O velório foi na minha casa em Caruaru porque a da mãe dele mal cabe ela e os filhos.  
Engraçado que comentei ontem que não saberia o que eu faria se acontecesse desses programas policiais ficarem fazendo "festa em cima" do corpo de um parente meu.  Para aliviar a dor da minha família nenhuma emissora fez nada. Só encontrei algumas linhas em alguns portais.

Meus textos sempre são acompanhados de fotos. Não tenho foto dele. Só na minha memória.

Texto de vários portais sobre:


Um homem foi morto a tiros nessa quarta-feira (11) na cidade de Belo Jardim, Agreste pernambucano.

Segundo a Polícia Civil, o crime teria acontecido por volta das 19 horas. A vítima José Roberto Ferreira Dias Junior, 28 anos, foi encontrado morto com vários tiros na via de acesso ao sítio Batinga, na zona rural do município. O autor do crime ainda não foi identificado.

José Roberto ainda foi socorrido para o hospital local mas não resistiu. O corpo foi levado para o IML de Caruaru, também no Agreste do Estado.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Será?


Eu tenho um "negócio" com números, mas detesto matemática
Adoro o cheirinho de café, mas não tomo café
Sou louca por chocolate, mas não gosto de sorvete de chocolate
Eu tomo suco de uva, mas não gosto da fruta
Faço faxina numa boa, mas detesto lavar banheiro
Roupa eu também lavo tranquilamente, mas se pudesse usava meias descartáveis.
Não tive festa nem viagem de quinze anos
Não tive fotos, nem anel, nem festa de formatura no curso de Jornalismo
Penso em família, mas nunca pensei em casar na igreja.
Adoro ler, mas gosto mais ainda de comprar os livros
Compro cremes que eu sei que nunca vou usar direitinho...

É impressão minha ou eu sou meio estranha?

domingo, 8 de maio de 2011

Elas

2008

Uma teve dezoito, outra dois, a outra, por enquanto só um filho. Não importa quantidade, acho que amor sem tamanho e força para lutar pela "cria" é redundância quando a palavra é "mãe". Se fosse pra listar os verbos que casam perfeitamente com essa palavrinha de três letras eu ia precisar de muitas outras e você não iam nem ler de tão grande que ia ficar. Mãe é algo tão bom que eu tenho outras "mães de coração" maravilhosas, engraçado que cada uma para uma fase de minha vida. Este ano minha mãe ficou com a mãe dela, logo, eu sem a minha, não deu pra ficarmos todas juntas - morar longe tem dessas coisas- mas o amor que nos liga não deixa que a tristeza chegue. É só alegria e o desejo de que elas sejam felizes todos os dias. 
Essas são as mães de minha vida. 
Amo muito.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Isso não é TPM

         
Juro, não é TPM, mas tem coisa que me tira do sério e olha que nem precisa muito. E parece que algumas delas resolveram acontecer esta semana. Estamos eu e minha irmã em uma loja de departamentos quando do nada chega uma senhorinha:
- "Eles deviam ter mais produtos diversificados, né? Tá aí chegando dia das mães e é tudo igual, parece que num pensa, tudo coisa velha, eles gostam é de ganhar dinheiro mas não pensam no cliente..".
            Demos aquele sorriso amarelo e continuamos olhando as roupas. Eu mostrava uns vestidos pra minha irmã quando ela chega e puxa justo o vestido que eu tava olhando quando tinham vááários outros iguais na arara.
 - Ela: "Tá de quanto isso?"
- Eu: "R$ 29, 90"
- Ela: "É, tá num preço até bom. Eu gosto de vestido. Só num pode ser muito longo porque eu sou baixinha..
Outro sorriso amarelo.
- Eu: "Gi, vamo alí pra eu te mostrar ... achei bem bonitinha..
          Foi a forma que eu arrumei pra sair de perto... Quando menos espero, eis que aparece entre uma arara e outra a voz:
- Ela: "O que foi que tu falou que tinha bem bonito?"
         Não resisti. Abri os braços e..
- Eu: "Um monte de coisa! Tem um monte de coisa bonita na loja!"
- Ela: "Ah, é uma blusa né? Eu tava querendo um vestido..."
Chamei minha irmã e saímos da loja. 

Aí, quando eu penso que já tive a minha cota da semana, lá vem outra senhorinha. Vindo pra casa, no ônibus e vendo um vídeo que eu fiz no celular de umas ruas do centro da cidade.
- Ela: " O que é isso que tu tá vendo?"
- Eu: "Um vídeo" . Sem nem olhar pra o lado.
Silêncio.
- Ela: "É que outro dia fiquei vendo um rapaz de São Paulo olhando umas coisas no celular e ele sabia onde é que ia, quando chegou na Lagoa ele disse "estamos no Parque Solon de Lucena" ... 
Continuei vendo meu vídeo... ia até comer uma cocada que tinha acabado de comprar mas fiquei com medo de ela peguntar onde eu comprei ou pedir um pedaço! (Era pequena a cocada, gente...)

Não sou de puxar papo com quem não conheço. Sei lá se a pessoa quer conversar... e isso se aplica a mim também... Muitas vezes o que eu não quero é ser notada. Acho que vou voltar a sair de óculos escuros e fones de ouvido.

Sim, eu sou legal... =)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A era e a espera

Roubei os teus anéis pra me enfeitar e assim disfarçar a feiura de noites sem dormir, de dias pensando em ti, de tempos de "querer estar". São turnos com a cabeça nas nuvens, com os pés cravados no chão, paralisada, sem nada nas mãos. Já no coração... Ah, e a lua? Independente da forma, de qualquer forma, ela liga a gente. Faz um outro mundo chegar de repente, enche os espaços de uma lembrança que é só tua.

sexta-feira, 22 de abril de 2011


Um nó na cabeça, outro na garganta. 
Coração não fica de fora, esse tá apertado faz tempo. 
 Até as "tripa" tão resolvendo entrar no clima e se apertar também. 
Um emaranhado de pensamentos, sentimentos e sensações que não sei por onde começar a "desininhar". Mergulho em meus anseios, desejos e expectativas. 
Tanta coisa dando volta que até dormir tem sido um nó.
Alguém tem um manual que ensine a desatar?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Não arranca pedaço



Antes de mais nada: não sou a melhor pessoa do mundo, não sou "perfeita", nem "a mais" em nada, nenhum sentido. (E pra falar a verdade nem sei se quero, deve ser muito chato.) Mas se tem uma coisa que tem me incomodado bastante nos últimos tempos é a dificuldade (Não sei se essa é a palavra certa. Vou preferir acreditar que sim) das pessoas de admitirem o erro. É um gesto fácil e digno. Detesto quem fica querendo arrumar mil justificativas pra tudo. Tem coisa que sim, independe de você, mas outras não. Basta um "é, errei." Pronto! Não vai cair perna nem braço nem você vai ser uma pessoa menos legal ou inteligente ou esforçada por isso não! Tem um agravante: os casos em que as pessoas, além de não reconhecerem o erro, ficam querendo jogar a culpa em outra pessoa. 

Se, em muitas situações de nossas vidas, em vez de tentar justificar, repassar culpa ou simplesmente colocar pra debaixo do tapete, encarássemos e admitíssemos o erro talvez errássemos menos e a relação entre as pessoas seria mais honesta.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Além do que se vê

Não, o título não é a música de Los Hermanos. Eu vinha pensando nisso hoje enquanto voltava pra casa. Quando você olha pra mim, o que você vê? O que eu sou? O que eu pareço ser? O que você idealiza que eu seja? Fiquei olhando as pessoas nas paradas de ônibus ao longo da Epitácio Pessoa. 


A cada parada escolhia uma pessoa parada e ficava olhando pra ela. Ví um cara com sombrinha na mão e de braços cruzados e cara de bobo. Pensei: esse deve ser filho único ou morar com a mãe, tipo que não faz nada sozinho. Depois olhei uma baixinha, loira com quatro dedos de raiz preta, sobrancelhas grossas e roupas "fashion-populares". Pensei: deve ser do interior, com várias amigas ligadas em moda e quer entrar na onda de uma praia que não é muito a dela. Na parada seguinte ví uma mulher com um menininho de pouco mais de um ano. Magrinha, branquinha e com cara de novinha. Pensei: era a filhinha do papai, CDF da sala e engravidou do primeiro namorado e agora fica só em casa cuidando do filho. 


Aí, foi na parada seguinte, que parei e pensei. O que será que pensam de mim quando me olham por aí, na rua, como fiz com essas pessoas? O que parece pode ser mas pode também só parecer.

PS.:  Aí, claro, depois disso tudo "viajei". E o Epitácio? Que "pessoa" seria? (ai ai... só eu mesmo)

PS 2.: Em tempo: não fico julgando ninguém pela aparência. Foi uma forma que arrumei de passar o tempo e surgiu o questionamento.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Para sempre, para Amélie


Sexta, dez de abril. Nossas vidas estavam prestes a mudar e não sabiamos que seria naquele dia.  Sábado de aleluia virou onze de setembro. O ano: 2009. E sim, o calendário está certíssimo. Na sexta daquele ano o dia seguinte seria só mais um onze de abril, mas às 08h43 o mês virou setembro. Não no sentido da catástrofe, mas da data que, por mais que você queira, não vai esquecer nunca o que aconteceu nela. É um daqueles acontecimentos que você, por mais que tente, não consegue ficar indiferente, não consegue não lembrar  - sim, porque esquecer já são outros quinhentos.  Não. Nada de tragédias. Muito pelo contrário. O onze de abril de 2009 amanheceu alegremente azul para receber a rosa de minha vida. Aquele botão pequenininho, mas que encanta e fica cravado na pele para sempre. 

E eis que o tempo voa e chega 2011. 2 anos. 11 / 04/ 11. Os números, os significados e os simbolismos.  Os fatos. Garanto, minha vida não será mais a mesma. O tempo passa e a certeza de um sentimento forte só se reafirma. As lembranças vão virar carnaval e virão todos os anos.

Será que um dia você vai ler isso? Eim, titia? Então saiba: você é um presente! 
Parabéns arianinha de minha vida!

11/04/2009

PS.: E quando falo em 11 de setembro não é onda não! Olha só isso "8h48 - O avião da American Airlines atingiu a Torre Norte do WTC."  Agora olha o relógio lá em cima.. Quase...